terça-feira, 16 de dezembro de 2014

OLHA EU EM ZERO HORA DE NOVO!



Virei poeta por acaso como já escrevi aqui. Depois peguei gosto. Meio timidamente, encorajo-me e envio os meus versinhos para ZERO HORA. RICARDO CHAVES, o titular do ALMANAQUE GAÚCHO, aquela página de cultura de ZH, gosta e publica os meus poemas.

Foi publicado assim em ZH de hoje, 16/12/2014:

     CIRANDANDO...

ARLETE GUDOLLE LOPES

Pernoitei nas estrelas mais brilhantes.
Cirandei com o vento em corda bamba,
Verti as lágrimas ímpias dos amantes
E me perdi num mar sem firmamento.
Colhi o riso doce dos infantes,
Copulei com teus sonhos mais insanos
  Engravidei de esperas e desesperanças...
Corri no desfiladeiro de teus contornos
E me refiz inteira, parodiando a morte.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

POR ONDE ANDAS MEU ANJO NÚMERO DOIS?


Fotos lindíssimas da China













A vida é uma sequência de alegrias e tristezas, saúde e doenças, encontros e desencontros, perdas e ganhos, dias felizes e outros bastante desairosos que giram numa redoma de vidro e, portanto suscetível de quebrar a um toque mais desastrado. Saber viver faz parte de como bem gerir essa magnífica dádiva que é a existência individual. Transmitir felicidade, alegria e bem estar à vida de com quem convivemos é o lado mais sapiente de nosso estar no mundo. Apesar de meu endêmico otimismo, li, em algum lugar, que a capacidade de ser feliz faz parte da genética de cada pessoa, assim como nascem os predestinados ao sucesso ou ao fracasso.

No entanto, há pessoas que, por se sentirem infelizes, ou por acreditarem não terem sido contempladas com a magia da felicidade, fazem da vida dos outros um verdadeiro inferno dantesco. A elas, restam duas saídas: ou se redefinem enquanto seres e procuram agir de maneira mais agradável para que sejam aceitas por familiares e amigos, ou devem ser relegadas ao único lugar em que merecem estar: a indiferença.

Se não quiserem se redefinir e se reconstituir, devem inspirar-se no ciclo da vida, na sequência dos fatos, em exemplos similares. Isso precisa ocorrer porque cada um colhe os frutos que, paciente ou inconscientemente, plantou. Como diz o surrado bordão: “Quem semeia ventos colhe tempestade. Quem semeia amor colhe saudades”. Vou além: Se cada um que deseja ser feliz e, em contrapartida, fazer feliz a quem ama e os que o cercam, deve esquecer-se um pouquinho de dirigir o olhar apenas ao “próprio umbigo” e vislumbrar o que se passa ao seu redor. De olhos bem abertos, poderá perceber um mundo repleto de coisas boas, de pessoas e situações prontas para abrirem-lhe as portas da própria felicidade, a fim de torná-lo, da mesma forma, um ser mais pleno e, por isso, apto para ser  feliz. Ou, pelo menos, disposto a tentar...


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Felicidade existe?






Felicidade existe?

Muitas pessoas já não mais acreditam na felicidade. Eu, não! Para eu ser feliz basta bem pouco. Encanto-me com os amores-perfeitos que, emurchecidos pelo tempo e a chuva, teimam em renascer todos os dias. Vibro ao ouvir o zumbido das abelhas, mesmo que o néctar vão gestar noutro lugar. Abro bem os olhos para me deliciar com o beija-flor, que bebe nas flores de plástico, cheias de doce sumo, que armei para atraí-lo, imaginando que a flor é viva.


Extasio-me com o tamborilar da chuva, que me desperta, mesmo que as altas horas rondem a noite. Minha alma pagã saltita de alegria quando me deparo com alguém que ainda responde ao meu bom-dia, ou, ao parar na faixa de segurança, anda que o passante trafegue bem devagar, sorri agradecido pela gentileza obrigatória. 

Morro de rir de tão feliz, ao ouvir, ao telefone, o anúncio de que se lembrou de mim e percebo que meu interlocutor também ri. E o sol se espreguiçando no horizonte? E a lua, no prata mais cintilante, ressurgindo por trás das nuvens? E a moça que me atende bem até quando compro uma agulha? E a música linda que ouço de graça, oriunda da janela de minha vizinha mais querida. Ah! E gargalho extasiada pela alegria, quando curtem e comentam o que escrevo ou posto neste espaço? Não são motivos relevantes para eu ser feliz?

Só de saber que tenho incontáveis motivos para sorrir e até para chorar, apregoo que felicidade existe, sim! Basta olhar a vida com os olhos bem abertos do coração.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

CAMINHOS...


Ando carente de filhos, de abraços, de compartilhamento de segredinhos, de cumplicidades trocadas entre doces sorrisos de malícia, que só o sabem fazer mães e filhos. Ando sedenta de beijos sem nenhum compromisso, somente pelo prazer de beijar, sem motivos justificáveis. Apenas para mostrar que amo o beijado. Ando faminta de tardes vazias, deixadas soltas pelo ínfimo prazer de que estou viva. Ando ansiosa por danças acompanhada ou sozinha, pela mera intenção de de...ixar o corpo flanar no ritmo de uma bela melodia.

Ando saudosa de campos, de mato, de rio, só para voltar no tempo e sentir a doçura do que foi a minha infância. Ando necessitada de preces, assim, sem compromissos com santos ou deuses, para dar paz aos meus indiscretos conflitos interiores. Ando nostálgica de meus arroubos juvenis, em que dialogava com o vento sem medo de articular as palavras mais ousadas. Ando à espera de noites em que o sono é senhor absoluto e a fuga dele me faz inquieta e saudosa.

Ando contando os dias porque terei saciada a espera de meus amores. Então, deixarei que a vida escorra lassa, sem rédeas, sem relógios, sem pressa. As tardes não serão mais vazias. As noites de insônia terão um sentido. Os beijos serão ofertados sem parcimônia. Os abraços se farão desmedidos. Os segredos tomarão as formas da verdade revelada. As saudades da infância corporificar-se-ão em minha netinha e os tormentos interiores irão embora com a mesma rapidez como em mim se apresentaram.

Assim é a vida, cíclica, ininterrupta, com dias plenos de encantos e noites negras como temporais. O segredo é estabelecer os limites entre o bom e o ruim, a paz e a tormenta, a alegria e a dor, os sonhos e o palpável. E o segredo maior: a vida nos mostra os caminhos que nos conduzem à realização dos sonhos...

UMA SEMANA LINDA, LINDA para quem leu mais este meu texto!

sábado, 22 de novembro de 2014

UM VÍCIO CHAMADO CARINHO




Se o carinho fosse cultuado como um "vício" dignificante por todos, não haveria tanta maldade no mundo. Quem iria agredir alguém cheio de amor e carinho para dar?

Conheço muitas pessoas tão parcimoniosas no afeto que se assustam quando alguém as "ataca" com um gesto afetuoso. Quando oferecem um ósculo (não é um palavrão, é o primo irmão de beijo), o gesto mais próximo do carinho é um automático e rápido encosto no rosto do acariciado.

Para mim, abraçar tem que ser um abraço efusivo, acintoso, carregado de força emocional. Como se mil braços macios e aconchegantes envolvessem o enlaçado. Ou se, no gesto simples de abrir os braços para abraçar, estivesse também abraçando a natureza e tudo o que de maravilhoso nela existe.

Beijar, se na boca, tem que ser, preferencialmente, de língua, ou acintosamente pleno de paixão, como se fosse o último a ser compartilhado. Se o beijo for nas faces, não o aceito se não agregar a ele um estalo pleno de emoção. Não gosto daqueles beijinhos sociais, quando as pessoas, encostando a face na face do cumprimentado, fazem a boca articular desagradáveis muxoxos. (Também não é palavra de baixo calão. É aquele jeito de se tocar a língua entre os dentes ou lábios batendo nos lábios e se ouvir um tchetchetchetche ou bchtebchetbchet!)
Tais beijos nada representam para mim. Se tenho que beijar, beijo meeeeesmo com tudo a que o par, seja homem ou mulher, tem direito.

Se vou demonstrar o quanto quero bem a alguém, extravaso nos gestos. Abraço-o com a mesma emoção que abraçaria um filho. Não sou econômica no afeto, única coisa interessante que posso oferecer em abundância. Equilibro o carinho com o comedimento das palavras, porque exercito a arte de ouvir com o mesmo cuidado com que miserabilizo as palavras, temerosa de melindrar o acariciado.